24.7.08

O significado

sorriso















“… o sorriso amável trocado entre um homem e uma mulher significa o fim de qualquer paixão. As pessoas que se desejam são muito sérias.”

Assis Brasil, in: O Pintor de Retratos

23.7.08

A Língua Portuguesa e o Brasil

a língua portuguesa















Ontem, no post anterior, limitei-me a anunciar e a enquadrar a afirmação do Ministro da Cultura de Portugal de que Cabo Verde estaria mais bem posicionado que o Brasil para contribuir na expansão da língua portuguesa no mundo. Fi-lo por uma questão de fidelidade ao discurso alheio, ainda que o Ministro não tenha demonstrado esforço algum para sustentar afirmação tão controversa. Dizer apenas que o ensino em Cabo Verde é eficaz não é suficiente.

Vale dizer que o grande desafio educativo de Cabo Verde é a Qualidade. Falta-nos, depois de grandes conquistas neste sector, o Salto de Qualidade. E um dos nossos condicionalismos é a diglossia entre o Português e o Crioulo, a alienar o Bilinguismo Cabo-verdiano.

Considerando sempre o esforço nacional no sentido da expansão e da qualificação do ensino, tenhamos sempre em vista o caso de uma potência como o Brasil, eu diria, o país que se perfila na linha da frente para a potenciação da língua portuguesa no mundo. De resto, os pobres e os ricos brasileiros referenciados pelo Governante português, também os há em Portugal (e em Cabo Verde), o analfabetismo idem.

A rede das universidades existente no Brasil, só para citar um exemplo, traduz-se num manancial de quadros qualificados incomparável à situação de Cabo Verde que apenas nos anos noventa começou a dar os primeiros passos para o ensino superior. A nível nacional, a alfabetização, ainda que considerável, não apresenta um cenário comparável ao Brasil em números absolutos. A literatura brasileira tem no seu portfólio obras e autores com dimensão equiparada aos grandes nomes da literatura produzida em Portugal. A editoração brasileira é mais de 80% de toda a lusofonia. A própria música brasileira tem levado a língua portuguesa a recantos que lusófono algum conseguiu penetrar. De modo que não se compreende o entusiasmo do Ministro de Cultura de Portugal a pretender dar a Cabo Verde um título que já pertence de modo incontornável ao Brasil, a pátria da maioria dos falantes da língua portuguesa no mundo. O Museu da Lígua em São Paulo (foto) é o corolário dessa força, que já conota enorme qualidade.

Terá chegado a hora de aceitar, sem complexos, nem ressentimentos (vejam o caso do Acordo Ortográfico), essa força numérica do Brasil, e convergir esforços também com os países africanos que falam oficialmente o português, em prol do incremento da lusofonia no mundo.

22.7.08

Pontos de vista

Museu da Lingua Portuguesa
"Amo a língua portuguesa [...]. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida".

Clarice Lispector


Assistia, ontem, ao programa Câmara Clara da RTP sobre a Língua Portuguesa com o Ministro da cultura de Portugal. O programa cativa pelo frescor da jornalista, pelo interesse sempre em alta dos temas, e, sobretudo, pela sua diversidade.

Nessa edição, o que chamou a minha atenção, foi o Ministro a referenciar Cabo Verde como um país que pode jogar um papel fundamental na divulgação da Língua portuguesa no mundo. Nesta posição estaria o Brasil, segundo as estimativas da jornalista, devido ao número da sua população, mas o Ministro advoga que aquele pais da America do Sul ainda não pode desempenhar esse papel na promoção da língua portuguesa porque “tem problemas sérios”. “O Brasil ainda tem ricos e pobres, um analfabetismo muito grande”, diz.

Segundo aquele governante português, os professores cabo-verdianos podem ser um instrumento na expansão da língua portuguesa, tendo em conta "a eficácia do ensino no arquipélago". O entrevistado não deixou, entretanto, de reconhecer o potencial brasileiro traduzido em grandes nomes da literatura em língua portuguesa. Machado de Assis e Clarice Lispector (foto) foram dois dos nomeados.

Esta declaração, recorde-se, destoa de algumas vozes “da terra” que afirmam que a língua portuguesa está em agonia em Cabo Verde, e que hoje se fala mais o crioulo do que o português (uma relação forçada, do nosso ponto de vista) nas escolas, nas ruas, e nos ambientes familiares.

Alguma elite (mais conservadora) acredita, sem grande sustentação lingüística, de que a oficialização do crioulo seria a morte do português em Cabo Verde. Entretanto, os especialistas acham que talvez aconteça o contrário. Com o estatuto oficial das duas línguas, haverá espaço de florescimento de ambas, sem os riscos de interferência ou de diglossia.

8.7.08

O auto-retrato





















No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Mário Quintana

7.7.08

Amazónia (entre a ficção e a realidade)

Amazónia
















"Durante um debate, numa universidade dos Estados Unidos, o "então" Ministro da Educação do Brasil, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência em alguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros)." Leia extractos da sua resposta.

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.
(…) Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. (…)
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.
(…) Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!

nota: Os momentos contribui para a internacionalização desta ideia.

3.7.08

La Strada do Cinema

Paul Haggis















Tive a ventura de participar do Festival Internacional de Cinema de Alba, a convite do Padre Octávio Fasano, missionário capuchinho. O Festival difere dos outros, não pela temática que tende a generalista, mas pelo conteúdo que centra no Humanismo. Este ano, a figura central era o cineasta canadiano Paul Haggis, (foto nº1) igualmente guionista vencedor de dois Óscares, um pela escrita de "Million Dollar Baby" e outro por "Crash". Durante o Festival, a coqueluche fora "No Vale do Elah", seu mais recente trabalho.

Em conversa com Paul Haggis, apercebi-me da enorme dimensão humana do cineasta e o porquê de ser estrela cintilante na constelação dos maiorais da Sétima Arte. Paradoxalmente, Haggis, durante toda a entrevista, dissimulava a sua complexidade com uma misteriosa simplicidade. Uma dissimulação que chegava ao "charme discreto", diga-se de passagem.
Tom Lee Jones
Não sei se "No Vale do Elah" é sua obra-prima. Trata-se aqui de um outro prisma, de um outro cinema. Paul Haggis coloca o foco por dentro (como um expressionista) e conta-nos dos estados da alma. Vou à classificação dos estilos e das linguagens, mas não encontro adjectivos para o qualificar. Quando descreve a guerra, como "No Vale do Elah", Haggis aproxima-se aos existencialistas e obriga-nos a reler Heidegger e Sartre. Convida-nos a responsabilizar. Não há neutralidade possível. Somos humanamente contra a guerra. As sequelas da guerra são a marca indelével do mais diabólico. Os limites de matar ou de ser morto (faces afinal da mesma moeda).
E o actor Tommy Lee Jones (foto nº2), num autêntico underacting, vai (des) construindo o que sobra de um pai cujo filho militar estaria desaparecido. Trata-se, sem dúvida, de um prisma outro…

Da ventura que tive, conto sobre o encontro com Paul Haggis e outros encontros, tudo do que vi e vivi durante o Festival Internacional de Cinema de Alba, numa reportagem televisiva a ser emitida na TCV, no domingo, pelas 21 horas. Convido-vos a participarem em La Strada do Cinema.

30.6.08

Os teus pés


















Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.

Neruda

27.6.08

Publicações: Afro…

Taís AraújoA exemplo da revista Raça, no Brasil, e das publicações dirigidas para negros nos Estados Unidos e na África do Sul, foi lançada recentemente em Portugal a revista Afro, dirigida «ao grande público que se identifica com os valores universais da cultura afro». É uma revista feminina, com reportagens diversificadas, e perfis vários de figuras negras de renome a nível internacional. Uma publicação que, sem sombra de dúvidas, preenche uma lacuna editorial num espaço territorial com presença (histórica, inclusive) de várias comunidades de origem africana.
A publicação pertence à Editora portuguesa Impala, e é distribuída em Moçambique, Angola e Cabo Verde.
Surfando pela net, encontrei alguns comentários injuriosos a essa revista. Neste blog, por exemplo, fizeram uma enquete nesses termos “Achas que a criação desta nova revista constitui uma boa iniciativa para a divulgação da cultura africana ou poderá ser um motivo de discriminação?” As opiniões divergem entre si.
Do meu ponto de vista, tratando-se de negócio, esta publicação, dirige-se a um franja que não se revê, enquanto consumidora, nas mil e outras publicações existentes nessa linha. E nem se vai referir aqui às outras frentes que uma revista desse tipo pode ajudar a construir nas cabeças femininas do segmento a que se dirige.

África21

Ainda sobre publicação, já nasceu o site África21digital, parceira on-line da publicação impressa com o mesmo nome. Uma revista especializada em política, economia e cooperação que cobre a actualidade de África (com especial atenção à CPLP), e a sua relação com o resto do mundo.

Nota: A actriz brasileira Tais Araújo (foto) pousou para a capa de estreia da revista Afro.

26.6.08

Gosto de gente


















Gosto de gente que conhece os meus gostos
… de gente que olha
Gosto de gente que ouve
Gosto de gente que …
…aprecia o mar,
… as ruas escuras,
… e o silêncio.

pura eu

24.6.08

(Nunca) esqueço

Clair de lune, 1893 Munch, Edvard
















"Nunca esqueço os livros. Esqueci bastante da minha vida. Salvo a minha infância e as aventuras que pude viver para fora das normas do cotidiano. Da vida de todos os dias não sei quase nada. Exceto da minha infância. O resto representa uma massa de acontecimentos paralelos à minha vida. Tem a ver com os motivos acima apontados e outros mais, sempre diferentes, como diferentes são os encontros, as amizades, as circunstâncias do amor ou da tragédia."

MD

23.6.08

Vazio de poesia

Vazio



















Foi chocante o uso "burlesco" do termo poesia na sessão desta manhã no Parlamento cabo-verdiano. Políticos de ambos os blocos discorriam em tom de paródia sobre “fazer poesia”, como que se de um labor vazio e insignificante se tratasse:
E porque poesia é poder “do mais genuíno”, lembrei-me de Maiakovski, e do seu slogan:

Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.

Manuel Alegre, poeta e político português, disse também, certa vez, que: «Entre os muitos défices que avassalam o mundo, aquele de que menos se fala é talvez o mais importante: o défice da poesia. Porque não é possível resolver os outros sem que no cinzento de cada dia haja “um pouco mais de azul”».

(Ler de novo) Essex na Ilha do Maio

Essex













Cabo Verde assumiu-se sempre como uma importante placa giratória da navegação atlântica, pois aqui se cruzavam nas viagens de ida e de regresso, a rota da Guiné, a rota do Congo/Angola e a rota do Cabo e daqui aportavam à ida os navios do Brasil e os da rota das Índias de Castela. Assim, pela enorme importância geo-estratégica tiveram, a cada tempo, o seu auge, diversos espaços cabo-verdianos:
A Ilha do Maio também se insere nesse roteiro. No livro “No Coração do Mar”, do jornalista e historiador norte-americano, Nathaniel Philbrick, existem relatos interessantes da passagem da embarcação Essex pela Ilha do Maio. O navio baleeiro Essex foi atacado em 1820 por um cachalote enfurecido e afundou. Este acontecimento foi tão comentado nos Estados Unidos quanto o naufrágio do Titanic no século XX. O episódio inspirou Herman Melville a escrever sua obra mais conhecida, "Moby Dick". O historiador Nathaniel Philbrick, por sua vez, reconstituiu a história na obra “No coração do mar” em todos os detalhes, apoiado em ampla pesquisa e fontes inéditas. Uma tragédia vivida por pessoas reais – alguns cabo-verdianos, possivelmente.
O Porto da Ilha do Maio é narrado no livro de Philbrick como "uma enseada que servia de porto, onde montes pontiagudos de sal branco – obtidos dos largos salgados do interior da ilha – aumentavam a sensação de desolação do cenário…"
Os barcos americanos ancoravam no Maio para se abastecerem do Sal, de panos de terra, de frescos e de porcos. Outra curiosidade que confirma o peso histórico das ilhas na rota atlântica.

22.6.08

Outra Grande Senhora





















“Ela fala francês, inglês, espanhol, adora romances policiais e tem quatro livros publicados, Maria Stella de Azevedo Santos, 83 anos, a Mãe Stella, é a Mãe-de-Santo mais respeitada da Bahia. À frente do Ilê-Opô-Afonjá, há 32 anos, ela revolucionou o terreiro afastando-se das celebridades e colocando os políticos em seu devido lugar. Com vocês a líder religiosa que quebra tabus e foge dos estereótipos.”
Saiba mais sobre Mãe Stella, aqui, numa reportagem da revista tpm assinada por Tom Cardoso.

20.6.08

Duras Lembranças

Marguerite Duras Uma das escritas eternas que guardo em mim saiu da pena de Marguerite Duras. A dureza, a densidade, a confidência, e a profundidade são as marcas que se impregnam nos seus livros. São igualmente de notar as suas marcas cinematográficas: a adaptação ao cinema das suas obras O Amante (1984) Moderato Cantabile (1958) e a escrita do argumento do inesquecível Hiroshima meu amor (1959).

Os eixos de sua escrita giram à volta de conflitos familiares, relações amorosas, paisagens marcantes, política (no seu sentido diverso), e a morte, numa urgente ânsia de falar de si... Duras soube, na sua escrita, dar vida à dor, ao ódio, ao amor, e à desilusão: a condição humana.

Toca-me tudo que vem desta senhora falecida em 1996, e me acontece, em momentos decisivos, estranhamente, (de nunca tê-la alcançado) sentir em lembrança a sua escrita.

Deixo aqui um trecho definitivo que ilustra a vida, o amor, a morte, e a eternidade: os pilares da escrita de Duras.


"Anos depois da guerra, depois dos casamentos, dos filhos, dos divórcios, dos livros, ele veio a Paris com a mulher. Telefonara-lhe. Sou. Ela reconhecera-o logo pela voz. Ele dissera: queria só ouvir a sua voz. Ela dissera: sou eu, bom dia. Ele estava intimidado, tinha medo como dantes. A sua voz tremia de repente. E com o tremor, de repente, ela voltara a encontrar a pronúncia da China. Ele sabia que ela tinha começado a escrever livros, soubera-o pela mãe dela que voltara a ver em Saigão. E depois dissera-lho. Dissera-lhe que era como dantes, que ainda a amava, que nunca poderia deixar de a amar, que a amaria até à morte."

O Amante

18.6.08

Blindness: quero ver













"Blindness" é o mais novo filme do realizador brasileiro Fernando Meirelles (o mesmo de Cidade de Deus). Durante a rodagem do filme, Meirelles manteve um blog onde descrevia os passos mais importantes da rodagem de "Blindness", uma adaptação cinematográfica do romance Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago. Interessante exercício.
No post nº 12, intitulado “Sobre filmar em SP, Síntese e Culpa” Meirelles confessa, a dada altura, uma ideia que chama atenção: “Descobrir qual é a imagem/síntese de um filme me parece tão importante quanto conseguir formular um “story-line” (resumir o filme em apenas uma frase). Em “Blindness” eu não sei exatamente qual será esta imagem/síntese, mas sempre imaginei um filme opressivamente luminoso. Em nossas 12 semanas de filmagens, conseguimos bons momentos de brancura e agora torço para que no meio das 45 horas de material rodado ou dos 3.888.000 fotogramas expostos, haja ao menos um que consiga traduzir esta história. Se não houver paciência, pois as filmagens já acabaram”
As filmagens já acabaram e o filme abriu o Festival de Cannes 2008, mas como afiançou, na altura, o realizador, não será esse o filme que o mundo irá assistir (a estreia está prevista para Setembro), porque o trabalho passará por uma última fase de montagem, depois das várias a que foi submetido.
"Blindness" é uma co-produção entre o Japão, o Canadá e o Brasil, falada em inglês. A ideia, dizem, foi antecipar a Hollywood com uma homenagem ao Nobel Saramago, e à sua definitiva obra.

A partir de 26.03.05